Funcionário do Vasco desde 2003, Biro é uma daquelas figuras que o clube carrega com orgulho, longe dos holofotes. Roupeiro, amigo dos jogadores e acolhedor dos estrangeiros e garotos da base, ele foi escolhido pelo próprio elenco para puxar o Casaca após a classificação sobre o Vitória, nas quartas de final da Copa do Brasil, no Barradão, em Salvador. O grito ecoou, a torcida respondeu, e ali nasceu uma nova tradição.
Desde aquela noite, a cena se repetiu em Porto Alegre, em São Januário e no Nilton Santos. O ritual é sempre o mesmo: os jogadores vão até a arquibancada vascaína, pedem silêncio à torcida e esperam Biro fazer o grito de guerra. Em Buenos Aires, após a vitória sobre o Boca Juniors na Bombonera, os torcedores puxaram o Casaca pelas ruas da cidade. Os jogadores preferiram comemorar no vestiário, mas o canto já estava nas ruas argentinas como uma marca da passagem vascaína por lá.
O grito não é apenas uma celebração espontânea. Pedrinho e Felipe afirmam a todo momento que resgatar a identidade vascaína é parte do trabalho dentro do clube. O Casaca é trabalhado desde as categorias de base, no masculino e no feminino, e nos outros esportes. Pedrinho também comanda o canto nas comemorações do vestiário quando está presente. Biro, nascido na Barreira e morador do bairro até hoje, era um dos melhores amigos de Vegetti e hoje já tem Sosa, Lescano e Colidio na lista de chegados.
Com a semifinal da Sul-Americana ainda em aberto e a final da Copa do Brasil no horizonte, o torcedor vascaíno já sonha alto: um Casaca em Barranquilla ou em Brasília para fechar 2026 de vez.
