José Boto, diretor de futebol do Flamengo, não escondeu o incômodo com a liminar que garante ao Vasco o direito de jogar no Maracanã no dia 20 de outubro, pelo jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors. Em declaração carregada de ironia, o dirigente português resumiu a situação com uma frase que diz muito sobre a relação entre o Consórcio Fla-Flu e o clube de São Januário: 'Preparo a casa e outro usa para festa'.
A disputa pelo Maracanã percorreu um caminho longo. O Consórcio Fla-Flu, concessionário do estádio, vetou o uso pelo Vasco, o que gerou uma batalha judicial que passou por liminares, suspensões e novos pedidos. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acabou acatando a petição do Vasco e determinou que a partida aconteça no Maracanã. A Conmebol referendou a decisão e avisou que qualquer novo veto judicial pode transferir o jogo para o Paraguai.
A fala de Boto é um retrato fiel do que o Flamengo representa nessa disputa. O Consórcio Fla-Flu tem interesse direto em impedir que o Vasco utilize o estádio em um jogo de tamanha magnitude, e o diretor rubro-negro tornou isso público sem rodeios. Do lado cruzmaltino, a resposta veio nas arquibancadas: os ingressos para o Maracanã foram esgotados em poucas horas após a liberação da venda.
O Vasco chega para o jogo de volta em posição confortável. O Cruzmaltino venceu o Boca Juniors na Bombonera, mesmo ficando com um jogador a menos após a expulsão de Andrés Gómez, e abre a vantagem jogando em casa, diante de um Maracanã lotado e apaixonado. A festa que Boto não queria que acontecesse no 'quintal' do Flamengo está marcada para o dia 20 de outubro.
