Há algo de poético nesse reencontro. Pedrinho e Riquelme se enfrentaram três vezes como jogadores, em duelos de Brasil e Argentina nas categorias de base e pelo confronto direto entre Vasco e Boca na Libertadores de 2001. Agora, quase 25 anos depois, os dois voltam a se cruzar do outro lado da linha, sentados na cadeira de presidente, com seus clubes brigando por uma vaga na final da Sul-Americana em Barranquilla. A história pediu esse reencontro.
Pedrinho carrega no peito uma conexão com o Vasco que começou antes mesmo de calçar uma chuteira. Filho de 'Seu Hélio', motorista de caminhão em São Januário, ele chegou ao clube aos seis anos pelo futsal e virou profissional em 1995. De lá até 2001, foram 12 títulos, incluindo a Libertadores de 1998, quando marcou os dois gols que classificaram o Vasco para as semifinais diante do Grêmio. Eleito presidente em 2023, conseguiu afastar a 777 Partners na Justiça e agora comanda o futebol do clube. O Vasco está em sua terceira semifinal seguida de Copa do Brasil, voltou a uma semifinal continental depois de 15 anos e chegou a esse momento em crescimento, apesar do vice para o Corinthians em 2025.
Riquelme é o rosto da era mais vitoriosa do Boca Juniors, com três Libertadores, uma Copa Intercontinental e cinco títulos argentinos. Como camisa 10, traumatizou gerações de brasileiros em noites memoráveis. Vice de futebol desde 2019, foi eleito presidente em dezembro de 2023 com mais de 46 mil votos, mas os resultados como dirigente ainda não chegaram: o Boca foi eliminado na fase preliminar da Libertadores de 2025 pelo Alianza Lima e caiu no grupo da Sul-Americana, ao lado do Cruzeiro. O jeito de reverter esse cenário passa por Barranquilla.
Vasco e Boca Juniors também disputam semifinais em seus torneios nacionais: o Cruzmaltino enfrenta o Palmeiras na Copa do Brasil, enquanto o Xeneize mede forças com o Banfield na Copa da Argentina. Mas é na Sul-Americana que os dois presidentes jogam suas fichas mais pesadas por ora. Apenas um deles vai à final. A bola rola nesta terça-feira em La Bombonera, com mais de 4 mil vascaínos nas arquibancadas para empurrar o clube rumo à decisão.
