A aprovação da SAF do Vasco deixou rastros além das comemorações. Durante a votação realizada na última terça-feira, o conselheiro Pedro Henrique Sampaio, membro do grupo Casaca, fez declarações que o presidente Pedrinho interpretou como uma acusação direta de que ele teria se beneficiado financeiramente na operação. A sessão virou palco de gritaria e bate-boca, com Pedrinho reagindo no calor do momento: 'Você vai provar em juízo. Você me acusou e vai ter que provar. Foi uma acusação grave.' Horas depois, a resposta veio de forma oficial, com uma queixa-crime registrada na 37ª Vara Criminal por calúnia e difamação.
O clube social emitiu nota afirmando que Sampaio 'ultrapassou os limites da crítica e da fiscalização ao atribuir ao presidente um suposto benefício financeiro na operação, sem apresentar elementos que fundamentassem a acusação'. O posicionamento do CRVG deixa claro que a gestão não tolerará o que classifica como ofensas sem embasamento, ainda que partam de dentro do próprio Conselho Deliberativo.
Sampaio, contudo, recusou a interpretação e foi a público explicar o que, segundo ele, de fato disse. O conselheiro afirmou que suas palavras se referiam a dois pontos concretos previstos na estrutura aprovada: a possibilidade de o presidente do clube passar a receber salário da SAF e a existência de intermediários que receberão comissões pela operação, valores e beneficiários que, segundo ele, não foram apresentados aos conselheiros antes da votação. 'Sou conselheiro do Vasco e perguntar sobre dinheiro do clube é exatamente a função que me cabe', escreveu na nota.
O caso agora segue para análise do Poder Judiciário, com o conselheiro assegurado do direito de defesa. Sampaio anunciou ainda que apresentará requerimento pedindo a divulgação integral das comissões da operação e seus beneficiários. O episódio expõe as tensões internas que acompanharam um dos momentos mais importantes da história recente do clube, e que, pelo visto, ainda estão longe de se encerrar.
