O jogo da NFL no Maracanã, neste domingo, entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens, deveria ter sido uma vitrine para o Vasco. O clube havia firmado parceria com a própria NFL e a marca Approve para o lançamento de uma coleção de camisas, com ponto de venda instalado no estádio e vídeo comercial programado para o telão. A surpresa veio dias antes do evento: o consórcio que administra o Maracanã vetou todas as ações. O Vasco só ficou sabendo pela NFL, não pelo consórcio. Como alternativa de última hora, os produtos foram redirecionados para uma loja da Approve no Leblon.
O episódio não é isolado. Nas últimas semanas, o Vasco também não conseguiu a liberação do estádio para os jogos contra Vitória e Palmeiras pela Copa do Brasil. A situação mais grave, no entanto, envolve a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors. O regulamento da Conmebol exige capacidade mínima de 30 mil lugares, o que inviabiliza São Januário. O clube fez pedido formal ao consórcio para usar o Maracanã e, até agora, não recebeu resposta. A justificativa do consórcio para os vetos tem sido o estado do gramado, desgastado pela sequência de partidas, já que o Flamengo entra em campo pela Libertadores dois dias depois do duelo contra o Boca.
O acordo que o Vasco tem com o consórcio prevê o uso do Maracanã nos clássicos contra Flamengo e Fluminense, além de até quatro jogos por ano contra outras equipes. Na visão da diretoria cruzmaltina, esse contrato não está sendo cumprido. Pedrinho foi direto ao ponto na última sexta-feira: disse que não quer mais depender do Maracanã e que pretende levar o clássico contra o Flamengo para São Januário, exercendo o mando de campo no Brasileirão. O presidente também fez um apelo público ao BEPE, questionando por que a polícia garante segurança para eventos de grande porte na cidade, mas coloca obstáculos para jogos do Vasco no próprio Maracanã.
A postura de Pedrinho marca uma virada de tom. O Vasco para de pedir e começa a cobrar. Com contrato na mão e paciência no limite, o clube deixa claro que não aceita mais ser tratado como hóspede em um estádio onde tem direito garantido. A relação com o consórcio Fla-Flu chegou a um ponto de ruptura, e os próximos dias, especialmente com a decisão sobre o jogo contra o Boca, vão definir os próximos passos dessa briga.
