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Leilão da SAF do Vasco acontece nesta sexta: o que muda e quais são os próximos passos

O leilão para venda da SAF do Vasco está marcado para as 14h desta sexta-feira, na Zona Oeste do Rio. A Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, é a única interessada apta e deve ser confirmada como compradora. Mas a negociação ainda tem etapas importantes pela frente antes de ser concluída.

O momento é decisivo para o futuro do Vasco. Às 14h desta sexta-feira, em audiência fechada conduzida pela Justiça, as propostas para a compra da SAF vascaína serão abertas. A Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Faria Lamacchia, é a única interessada habilitada no processo e figura no edital como 'stalking horse bidder', condição que lhe garante o direito de fazer a oferta inicial, precificando o clube, e de igualar qualquer proposta concorrente que eventualmente apareça. O termo pode ser pouco familiar, mas o mecanismo é padrão em negociações envolvendo empresas em recuperação judicial, situação atual do Vasco.

Ainda que o leilão seja concluído com sucesso nesta sexta, Lamacchia não assume o comando da SAF de imediato. O negócio precisa passar pela aprovação do Conselho Deliberativo do Vasco e, em seguida, de uma Assembleia Geral Extraordinária. Há ainda uma investigação em andamento na Anresf, Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, para avaliar possível conflito de interesses, já que Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Internamente, não existe prazo definido para essas etapas, mas a expectativa é de uma resposta ágil da agência.

No campo financeiro, a Almirante já movimentou recursos concretos em favor do clube. Nesta semana, depositou R$ 27 milhões como garantia correspondente a dois anos de pagamentos da Recuperação Judicial, exigência do edital para proteger os créditos trabalhistas que venceriam no período. Além disso, no início do mês a Justiça aprovou um empréstimo de R$ 150 milhões no formato DIP à Almirante. Do total, R$ 65 milhões já foram utilizados pelo Vasco para pagar premiações ao elenco e quitar parcelas da RJ. Os R$ 85 milhões restantes ficam disponíveis conforme a necessidade do clube.

Na esfera jurídica, algumas tentativas de travar o leilão surgiram nas últimas semanas. A Matix Capital chegou a penhrar ações e obteve decisão que impedia a revenda do clube, mas a medida foi derrubada. O escritório Campos Mello cobrou R$ 740 mil da 777 Carioca e pediu o bloqueio do leilão, desistindo da ação um dia depois. Vasco, clube social e 777 chegaram recentemente a um acordo que encerrou a disputa judicial que originou toda a crise, com a empresa estrangeira abrindo mão do recurso no Tribunal de Justiça do Rio. A Almirante monitora de perto o cenário processual e se diz resguardada quanto a qualquer pendência envolvendo a antiga gestão.