O Vasco encerrou a segunda janela de transferências de 2026 com seis reforços confirmados para o elenco de Pedro Emanuel. Admar Lopes apresentou Paulinho, Gabriel Pereira, Santiago Sosa, Alan Lescano, Colidio e Bruno Duarte, nomes que chegaram por caminhos diferentes, mas com um denominador comum: criatividade financeira para não comprometer ainda mais o caixa do clube a curto prazo. O sonho com Richarlison, do Tottenham, durou até o fim da janela, mas o atacante recusou o contrato oferecido e o Vasco encerrou as negociações sem insistir.
A estratégia central passou por três modelos de negócio. Sosa, Colidio e Lescano foram adquiridos em definitivo, porém com entrada reduzida e o restante do valor parcelado a partir de 2027, já contando com os aportes previstos no acordo com Lamacchia. O caso de Sosa foi o mais tenso: o Racing só liberou o volante argentino após receber todas as garantias bancárias exigidas para os pagamentos futuros. Bruno Duarte foi comprado por 2 milhões de dólares junto ao Estrela Vermelha, da Sérvia, com quitação prevista ainda para o fim deste ano. Gabriel Pereira chegou por empréstimo do Copenhagen, com opção de compra que pode virar obrigação por metas, modelo pensado justamente para aliviar o impacto imediato. O Vasco desembolsa 1,5 milhão de euros pelo período do empréstimo. Paulinho, por sua vez, não custou nada: o lateral-esquerdo havia assinado pré-contrato em janeiro e chegou de graça.
A figura de Marcos Lamacchia foi decisiva nos bastidores. O empresário, que aguarda a formalização da compra de 90% da SAF vascaína, deu as garantias necessárias para que parceiros comerciais e clubes vendedores confiassem nos pagamentos futuros. Sem essa segurança, dificilmente negociações como a de Sosa sairiam do papel. A Justiça também cumpriu seu papel ao autorizar um novo empréstimo de até R$ 150 milhões para reforçar o caixa e marcar para 25 de setembro a abertura do processo competitivo para a venda da SAF, com a proposta de Lamacchia servindo como piso base, num modelo conhecido como stalking horse.
O processo competitivo abre espaço para novos interessados, mas quem quiser participar precisará apresentar garantias bancárias que cubram todo o passivo sujeito à recuperação judicial, uma barreira alta que protege o Vasco de propostas fora da realidade. A oferta de Lamacchia prevê R$ 500 milhões exclusivamente para o futebol, além das obrigações da recuperação judicial, numa negociação que gira em torno de R$ 3 bilhões. Com janela fechada e venda da SAF se aproximando do ato final, o Cruz-Maltino entra na reta decisiva da temporada com elenco reforçado e futuro mais definido do que há alguns meses.
