A Delegacia de Defraudações investiga uma possível tentativa de fraude a credores dentro do processo de recuperação judicial do Vasco da Gama. O inquérito, aberto em maio, gira em torno do crédito pleiteado pelo ex-lateral Max, que defendeu o clube no início dos anos 2010. O ponto central da investigação é o salto no valor da dívida reconhecida: o crédito passou de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões, o que levou o Vasco a impugnar os valores na Justiça em abril. Além do ex-jogador, a Polícia investiga a suposta participação de Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do CRVG, no processo.
Belaciano foi o advogado de Max quando o atleta ingressou com a ação na Justiça, em 2016, e depois transferiu a defesa para Moisés Gleicher, também investigado. A suspeita é que Belaciano tenha mantido envolvimento no caso mesmo após assumir cargo no clube, o que configuraria grave conflito de interesses. O próprio Belaciano nega qualquer irregularidade e aponta movimentação política por parte de dissidentes do grupo que elegeu o presidente Pedrinho. Segundo ele, os valores de cerca de R$ 8 milhões já eram reconhecidos pelo Vasco e pela SAF com correções, e a mudança de postura do clube só ocorreu após a crise interna na gestão.
Os depoimentos colhidos até agora mostram versões conflitantes. Os ex-dirigentes Carlos Amodeo e Bianca Reis afirmaram à Polícia que foram alertados de possível irregularidade no fechamento do balanço e que o crédito de R$ 8 milhões foi inserido pelo próprio Max nos autos. Já Adriana Zamponi, representante da administradora judicial Wald, declarou que o Vasco e a SAF reconheciam valores próximos a R$ 7,9 milhões como incontroversos e disse ter ficado surpresa com a mudança de posicionamento do clube. O Conselho Fiscal da SAF também cobrou apuração formal do caso em reunião realizada em fevereiro, apontando possível conflito de interesses de Belaciano.
A investigação ainda não terminou. Moisés Gleicher foi convocado, mas ainda não compareceu à delegacia. O presidente Pedrinho também será chamado a depor. No total, o Vasco tenta impugnar sete créditos considerados indevidos na recuperação judicial, que somam R$ 10,8 milhões, sendo o caso de Max um deles. A expectativa é que o inquérito seja concluído em aproximadamente um mês, quando a Polícia definirá se há elementos suficientes para indiciamentos.
