O Vasco está nas semifinais da Copa do Brasil pelo terceiro ano seguido, e dessa vez a classificação veio com um sabor especial. Eliminar o Vitória no Barradão, o mesmo estádio que serviu de fortaleza para o time baiano derrubar Flamengo e Athletico-PR na mesma competição, não foi pouca coisa. Com um jogador a menos por quase 90 minutos na primeira partida, o Cruzmaltino foi superior em São Januário. No segundo jogo, foi organizado, controlou a pressão do adversário e matou a classificação com gols de Andrés Gómez e Puma Rodríguez nos acréscimos. Eliminação com justiça, sem margem para contestação.
Pedro Emanuel tem sido o grande condutor dessa evolução. Contra o Vitória, o técnico português percebeu a dificuldade com o bloco baixo no início do jogo e ajustou rapidamente: subiu a linha de marcação, apostou em saídas mais longas e montou uma estrutura inteligente com Sosa recuando para formar uma linha de três com Cuesta e Robert Renan. O volante argentino foi o melhor em campo no Barradão, fundamental nas interceptações e nos desarmes, liberou Puma Rodríguez e Lucas Piton para a segunda linha e deu ao time o equilíbrio necessário para controlar o jogo e atacar em transição. É exatamente nessas transições que o Vasco tem encontrado seus melhores momentos.
O adversário na semifinal é o Palmeiras, e Pedro Emanuel não fugiu da realidade na coletiva: é o clube que mais ganhou títulos no Brasil nos últimos anos. Mas o próprio técnico lembrou que a equipe já mostrou que não há jogos impossíveis, e o torcedor tem razões concretas para acreditar nisso. Faltam apenas três vitórias para o título que escorreu das mãos em 2025. A dor daquela final ainda está fresca. Transformar esse sentimento em combustível é o próximo passo.
O problema é que o calendário não dá trégua. O Vasco está nas semifinais da Copa do Brasil e nas quartas da Copa Sul-Americana, mas segue pressionado na tabela do Brasileirão. A diretoria e a comissão técnica são públicos na prioridade: sair da zona de rebaixamento primeiro. Pedro Emanuel cobrou estabilidade emocional do grupo nos momentos em que o jogo não sai como planejado, e é exatamente isso que vai definir se o clube consegue administrar as três frentes sem naufragar em nenhuma delas. O Vasco está crescendo. A temporada está longe de acabar.
