A história tem uma ironia que o futebol adora preparar. Marino Hinestroza estava praticamente acertado com o Boca Juniors no início da temporada, já se considerava jogador argentino, quando o Vasco entrou na jogada e virou o negócio em 72 horas. Nesta terça-feira, no Maracanã, pela semifinal de volta da Copa Sul-Americana, ele deve ser o titular no ataque cruz-maltino justamente contra o clube que quase o contratou. A vaga é herança da expulsão de Andrés Gómez no jogo de ida, somada ao desfalque de Colidio.
O Boca havia encaminhado a compra do atacante junto ao Atlético Nacional, da Colômbia, por 5 milhões de dólares mais percentual em futura venda. Os colombianos não assinaram e deixaram os argentinos esperando. O Vasco viu a brecha e apresentou uma proposta superior em valores, forma de pagamento e percentual futuro. O Atlético Nacional aceitou, e Marino, que esperava a camisa xeneize, assinou com o Cruz-Maltino. O jogador não viu com maus olhos a mudança de planos: a vinda ao Brasil oferecia mais projeção para a seleção colombiana e condições financeiras mais vantajosas.
Dentro de campo, porém, a adaptação foi difícil. Em 31 jogos pelo Vasco, Marino ainda não tem gol nem assistência. Foi convencido a assinar pelo clube por Fernando Diniz, demitido logo nas primeiras semanas. Com Renato Gaúcho, recebeu poucas oportunidades. A virada veio com Pedro Emanuel: o técnico português resgatou o colombiano, deu titularidade a ele nos jogos contra o Botafogo e nas duas partidas contra o Santa Fé, e o atacante correspondeu com boas atuações.
Agora chega a maior chance de Marino com a camisa vascaína. O Vasco entra em campo precisando apenas de um empate para avançar à final da Copa Sul-Americana, e o colombiano tem a oportunidade de escrever o seu nome na história do clube, contra o Boca Juniors, numa noite em que o Maracanã estará lotado. O momento é dele.
