A rotina de Vilmara não termina com o apito final do treino. A zagueira do Vasco divide os dias entre atividades no CT de Caxias, compromissos do clube e as aulas presenciais de fisioterapia, que frequenta duas vezes por semana. A história com os estudos começou cedo: aos 18 anos, ainda no Cresspom, do Distrito Federal, ela aproveitou uma parceria do clube com uma universidade para cursar enfermagem. Dois semestres foram suficientes para perceber que aquela não era a área certa. A porta para a fisioterapia abriu quando ela voltou ao Rio para defender o Fluminense, em 2020, por meio de uma bolsa da Estácio.
O caminho até o diploma não foi simples. Uma passagem pelo futebol do Amazonas, com moradia em Itacoatiara, no interior do estado, obrigou Vilmara a cursar disciplinas à distância, algo especialmente complicado numa graduação que exige presença. No Vasco, para onde foi em 2024, o desafio continuou por conta da logística dos treinos, que eram realizados no Artsul, em Nova Iguaçu. A mudança para o CT de Caxias melhorou o encaixe entre as atividades. Hoje, no sexto período, ela garante que o atraso não diminuiu em nada a vontade de se formar.
A escolha pela fisioterapia tem raiz no próprio futebol. Durante a passagem pelo Fluminense, Vilmara sofreu a primeira lesão e passou tempo no departamento médico, o que mudou a forma como ela enxergava a profissão. Hoje, o conhecimento adquirido na faculdade, especialmente em anatomia, ajuda a atleta a entender melhor o próprio corpo nos treinos, saber quando frear e quando acionar o departamento médico. No dia a dia do clube, ela ainda aproveita a convivência com o preparador físico e a fisiologista para colocar em prática, mesmo que em conversa, o que aprende nas aulas.
Quando a carreira nos gramados chegar ao fim, Vilmara quer se especializar em pediatria e trabalhar com crianças neuroatípicas, uma área que nada tem a ver com futebol e que ela escolheu por paixão. A possibilidade de unir a fisioterapia ao esporte existe, mas não é prioridade. O que ela carrega como mensagem vai além da própria trajetória: campeã brasileira do A2 de 2026 com o Vasco, ela participou de um projeto de extensão dentro do clube para mostrar que o futebol feminino abre portas reais. 'Não tenho o direito de desistir porque as pessoas queriam estar no meu lugar e infelizmente não tiveram essa oportunidade', resume a zagueira.
