O Vasco está nas semifinais da Sul-Americana. E o que chama atenção não é só a classificação em si, mas a forma como ela foi conquistada: sem forçar o time titular em nenhum momento da competição. Com Renato Gaúcho, o clube chegou à fase de grupos usando os reservas na maioria das partidas, com os titulares aparecendo apenas na rodada final. O treinador chegou a não viajar para alguns jogos fora de casa. A classificação veio, mas sem nenhuma identidade clara.
Com Pedro Emanuel, o cenário mudou. O português trouxe organização, comprometimento e um padrão de jogo que se mantém independentemente de quem está em campo. Há um time-base formado por Léo Jardim, Robert Renan, Sosa, Thiago Mendes e Andrés Gómez, mas também uma rotação funcional com Puma, Piton, Tchê Tchê, Ramon Rique e Adson. O maior mérito do treinador está exatamente nisso: recuperar jogadores que estavam em baixa e torná-los úteis sem comprometer a luta para sair do Z-4 no Brasileirão.
Contra o Santa Fe, o roteiro da classificação teve a cara do Vasco de Pedro Emanuel. O primeiro gol nasceu de uma jogada trabalhada, com Marino e Adson por dentro, Piton aberto na esquerda e cruzamento para a área. Saldivia teve a atitude de atacar a segunda bola e serviu Bruno Duarte na medida certa. O segundo veio de David, que entrou do banco ligado e aproveitou um cruzamento preciso de Puma para selar a classificação. O sistema defensivo foi impecável a noite toda.
Agora vem o Boca Juniors. Um confronto que faz jus à história e ao tamanho do Vasco. A torcida que foi a São Januário nesta terça-feira celebrou com razão, porque sabe que o clube pode brigar em várias frentes ao mesmo tempo. Sair do Z-4 é urgência, sim. Mas ser campeão não é contradição, é obrigação de quem carrega esse escudo. O Cruz-Maltino está de volta ao palco continental que sempre lhe pertenceu.
